sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
sábado, 30 de janeiro de 2016
CANTILENA II
Tateio a noite
em alto relevo
suas ranhuras,
cada verso
Nos olhos - um espelho
de nuvens feitas de chumbo
arrancadas como um feto.
CANTILENA I
O Terceiro Homem, 1949, Carol Reed
Naquela noite eu morri
quando fechei o livro
de poesias
Maiakóvski me assassinou
com o punhal certeiro
< Preciso me retirar
da noite
Ausentar-me aos poucos
desses olhos estrangeiros
que rasuram versos
e perseguem >
Naquela noite eu desci
ao inferno
quando
marquei o poema
de Sophia
E ela me marcou
com seus dentes pontiagudos
Era sangue escorrido
no meio fio, por
todo lado
< O velho Buk e Brecht
bebendo com Augusto e seus
demoníacos anjos >
Naquela noite
a escuridão
não cedeu à manhã
não aceitou se
dissipar
instalou-se pálida
como um verso,
como um poema
contínuo.
Naquela noite eu morri
quando fechei o livro
de poesias
Maiakóvski me assassinou
com o punhal certeiro
< Preciso me retirar
da noite
Ausentar-me aos poucos
desses olhos estrangeiros
que rasuram versos
e perseguem >
Naquela noite eu desci
ao inferno
quando
marquei o poema
de Sophia
E ela me marcou
com seus dentes pontiagudos
Era sangue escorrido
no meio fio, por
todo lado
< O velho Buk e Brecht
bebendo com Augusto e seus
demoníacos anjos >
Naquela noite
a escuridão
não cedeu à manhã
não aceitou se
dissipar
instalou-se pálida
como um verso,
como um poema
contínuo.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2016
segunda-feira, 18 de janeiro de 2016
SIMÉTRICO
O frio vento estapeia o rosto
e lateja esse maxilar feito de nuvem
aperto o crânio contra o espelho
para que tudo se solte
e fragmentos latentes se distorcem
em manhãs cegas
estilhaços pontiagudos - atemporais
ou formas geométricas num cubo
de origamis firmes amarrados
em linhas frágeis
que se desdobram no espaço
Eu aprendi cedo
a cerzir meus medos
em panos escuros
com indecifráveis iniciais
disformes/ rasuras
que poucos saberão o significado
poucos.
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
VISCERAL
Estar sempre à margem
é morfina
rasgos de veia e vísceras
opulenta cinzentude
de olhos descarnados
astigmáticos
e roídos
por uns poucos vermes
que se interessam ainda.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2016
MUSGO
- ou para esse poema.
É necessário deixá-la, abandoná-la, esquecê-la
para que então se torne limo aparente, rosa de musgo
e/ou contorne, estreite - a orquídea mais rara num enlace de sangue.
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