quinta-feira, 7 de dezembro de 2017
ESQUADROS
Na curva dos dias
cabelos encrespados de areia e sombra
Mobilizam-se desordenados
Discorridos - progressiva ruptura
As vozes do caramanchão estendem as frestas
Espelho estilhaçado
Horas despidas
Range a teia secular - nosso grito
Molda-se amputado
Já não temos luto, nem esquadros.
GREVE
Depois da greve
Viraremos árvores
Simétricas árvores
a
b
s
o
l
u
t
a
s
nosso grito será o sol estampado nas folhas
nossas veias amplas raízes entrelaçadas
nos mortos
nossa mais rara espécie de orquídea
brotará do medo, a seiva da liberdade.
quarta-feira, 27 de setembro de 2017
Um Poeta, Um Marco, Um Livro, Um Poema
https://www.youtube.com/watch?v=IOvICPQr3OM&t=2s
O curta poético experimental realizado por Jesse Navarro sobre
os poemas:
O Marco Andante e Marco KM 16.
sábado, 19 de agosto de 2017
CINZAS
De tanta tragédia
Este cinza reveste-nos
A pele
O gosto
As palavras.
Estanco o verso na carne
Retiro
De tanto morrer
Em céu nublado
Acusam-nos
O golpe desferido
A mortalha de chumbo
A estaca de fome
A tristeza alada.
quinta-feira, 6 de julho de 2017
LITERATURABR
4 poemas do livro Aprendizagem Cinza, Ed. Patuá, 2016,
no ótimo LiteraturaBR:
http://www.literaturabr.com/2017/03/15/5330/
terça-feira, 4 de julho de 2017
O POEMA DO POETA
Um ótimo projeto O Poema do Poeta, um site dedicado
aos manuscritos de diversos excelentes autores:
https://opoemadopoeta.wordpress.com/
https://opoemadopoeta.wordpress.com/2017/06/23/leandro-rodrigues/
domingo, 2 de julho de 2017
4 Cenas Do Cão Andaluz
I
por que um cão sangrento
atravessa-nos à noite
e reduz a lua com
seu brilho no esgoto
numa parca brancura
disforme moldada
ou uivo do mau agouro
encarcerado/ sombra des-
fragmentada num osso
de nossa própria (in) existência
as vísceras repugnantes
à mostra para consumo
da matilha e suas fartas mandíbulas.
II
o ventre exaurido do parir eterno
constante:
palavras, palavras, versos
desarticulados/ disformes
e tão orgânicos.
III
costumeiramente rasgados
no cordão arrancado
com navalha fria, afiada
bem trabalhada.
IV
no rescaldo de tudo
o cão - o grito
se deita - carne viva
restos de pelagem
moldura mórbida estática
da sala de jantar imponente
com seus móveis discretamente apoiados
em calços vermelhos e
nas sombras tortas desfocadas
de todos aqueles animais mortos
da família - empalhados
o sangue que ainda respinga
pisado.
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